
Molde de barro encontrado em Jerusalém oferece evidência da produção local de figuras femininas durante o período do Primeiro Templo.
Arqueólogos encontraram em Jerusalém um raro molde de barro utilizado para produzir o rosto de uma figura feminina durante o período do Primeiro Templo. A descoberta foi anunciada em 27 de julho de 2026 pela Autoridade de Antiguidades de Israel e pelo Museu da Torre de Davi. 1 — ver referência 1
A peça foi localizada nas escavações do Kishle, antigo complexo prisional situado dentro da área do Museu da Torre de Davi, na Cidade Velha de Jerusalém. Segundo os responsáveis pela pesquisa, este é o primeiro molde conhecido para a fabricação desse tipo de figura encontrado na própria cidade. 1 — ver referência 1
A descoberta oferece evidência material de que ao menos parte dessas figuras era produzida em Jerusalém. Até agora, embora muitos exemplares fossem conhecidos na cidade, a ausência de moldes deixava aberta a possibilidade de que as peças fossem fabricadas em outros centros e posteriormente transportadas para a capital de Judá. 1 — ver referência 12 — ver referência 2

Fotografia original: Utopian100 / Wikimedia Commons.
Objetos: cabeças, molde e figura de pilar judaítas de Beit Shemesh, período do Ferro II, 800–586 a.C., acervo do Penn Museum.
Licença: Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 International (CC BY-SA 4.0).
Adaptações realizadas: enquadramento horizontal 16:9, fundo derivado da própria fotografia, correção tonal, contraste, nitidez e composição editorial.
Observação editorial: esta é uma imagem de apoio de artefatos do mesmo tipo; não mostra o molde recém-descoberto em Jerusalém.
O molde não foi encontrado inteiro sobre o piso de uma antiga oficina. Ele apareceu durante a peneiração de terra retirada de aterros e acumulações arqueológicas associados ao período do Primeiro Templo. 1 — ver referência 1
Essa informação é importante para compreender o alcance da descoberta. O objeto está relacionado às camadas antigas do local, mas sua posição original dentro de um edifício ou espaço de produção não foi preservada. Por esse motivo, ainda não é possível determinar exatamente onde funcionava a oficina, quem produzia as figuras ou qual era a escala dessa atividade.
Após a descoberta, o molde foi encaminhado para conservação. A retirada cuidadosa da terra revelou os detalhes de um rosto feminino, com traços bem definidos e um penteado formado por cachos. Em seguida, um especialista produziu uma reprodução do rosto a partir do molde, permitindo visualizar a aparência que a cabeça da figura teria quando recém-fabricada. 1 — ver referência 1
A presença de um molde mostra que o artesão podia repetir determinadas características faciais em diferentes peças. O restante da figura, entretanto, era normalmente produzido à mão. Essa técnica ajuda a explicar por que muitos exemplares arqueológicos são encontrados quebrados na região do pescoço: cabeça e corpo eram fabricados separadamente e depois unidos. 1 — ver referência 1
As figuras femininas associadas a esse conjunto arqueológico são conhecidas na literatura especializada como figuras de pilar judaítas. Elas recebem esse nome porque o corpo inferior costuma apresentar uma forma cilíndrica ou semelhante a uma coluna.
A Autoridade de Antiguidades de Israel situa esses objetos entre os séculos VIII e VI antes de Cristo, nos últimos séculos do reino de Judá antes da conquista babilônica de Jerusalém. As figuras femininas geralmente mediam entre 10 e 20 centímetros de altura. 1 — ver referência 1
Além das figuras femininas, os arqueólogos reconhecem outros grupos comuns no mesmo contexto cultural, como representações de cavaleiros e figuras de animais, principalmente cavalos. Vestígios preservados em alguns exemplares indicam que as peças podiam receber uma camada clara sobre o barro e pintura em tons de amarelo, vermelho e preto. 1 — ver referência 1
O arqueólogo Raz Kletter reuniu aproximadamente 850 figuras em um dos estudos fundamentais sobre o tema, analisando sua tipologia, cronologia, distribuição territorial, padrões de quebra e possíveis funções. Seu levantamento demonstrou que esses objetos constituem uma categoria significativa da cultura material do reino de Judá, e não ocorrências isoladas. 3 — ver referência 3
Pesquisas posteriores continuaram examinando as figuras por meio de contexto arqueológico, iconografia, textos do antigo Oriente Próximo, estudos bíblicos e análises dos materiais utilizados em sua fabricação. 4 — ver referência 45 — ver referência 5
A descoberta do molde esclarece uma questão relacionada à fabricação, mas não determina com segurança para que as figuras eram utilizadas.
Os exemplares conhecidos foram encontrados em diferentes ambientes, incluindo residências, ruas, depósitos, sepulturas e outros espaços. Essa distribuição indica que faziam parte da vida cotidiana de setores da população, embora o significado específico de cada peça não possa ser estabelecido apenas pelo local em que foi encontrada. 1 — ver referência 14 — ver referência 4
Uma interpretação frequente associa as figuras femininas a práticas religiosas domésticas e, em alguns casos, à deusa Aserá. Essa identificação, porém, não é consensual. As peças não apresentam inscrições que identifiquem diretamente a personagem representada, e seus atributos visuais permitem mais de uma leitura. 3 — ver referência 34 — ver referência 4
Outros pesquisadores propõem que elas poderiam desempenhar uma função protetora ou apotropaica — termo utilizado para objetos destinados a afastar perigos, enfermidades ou influências consideradas prejudiciais. Nesse entendimento, as figuras poderiam estar relacionadas à proteção do lar, à gestação, ao parto, à saúde infantil ou à busca de segurança em períodos de instabilidade. 4 — ver referência 4
Também foram sugeridas interpretações relacionadas à fertilidade, à maternidade, à prosperidade e, com menor aceitação, ao uso como brinquedos. O comunicado oficial da descoberta reconhece expressamente que a identidade e a função dessas peças continuam sendo discutidas pelos especialistas. 1 — ver referência 1
Por essa razão, não é adequado afirmar que o molde encontrado representa definitivamente Aserá ou qualquer outra divindade específica. A descoberta confirma a fabricação de figuras femininas em Jerusalém, mas a identificação religiosa do personagem e a utilização concreta de cada objeto exigem evidências adicionais.
A principal contribuição do achado está na demonstração de produção local.
Antes dessa descoberta, os arqueólogos conheciam numerosas figuras encontradas em Jerusalém, mas não possuíam um molde de fabricação proveniente da cidade. O novo objeto mostra que ao menos algumas dessas peças podiam ser produzidas na capital de Judá, em vez de serem exclusivamente importadas de outras localidades. 1 — ver referência 1
Esse dado amplia a compreensão sobre os artesãos, os objetos domésticos e as expressões religiosas presentes na sociedade judaíta. Jerusalém não era apenas um centro político e administrativo. A cidade reunia o templo, o palácio, residências, oficinas, mercados e diferentes práticas desenvolvidas no cotidiano de seus habitantes.
A produção repetida de rostos por meio de moldes também sugere a existência de modelos visuais reconhecíveis. O molde permitia conservar determinados traços e reproduzi-los em várias peças, enquanto o corpo podia receber variações feitas manualmente.
Estudos tipológicos e petrográficos realizados em figuras encontradas em outros sítios de Judá procuram identificar diferenças de fabricação, procedência da argila e possíveis redes de circulação. Essas pesquisas mostram que a compreensão dos objetos depende da combinação entre forma, material, local de descoberta e contexto histórico. 5 — ver referência 5
Os livros históricos e proféticos do Antigo Testamento descrevem repetidos conflitos em torno da adoração em Judá. Práticas condenadas pela legislação bíblica coexistiram, em diferentes períodos, com o culto realizado no templo de Jerusalém.
O relato de 2 Reis apresenta reformas promovidas por Ezequias e Josias, bem como a introdução ou manutenção de práticas idolátricas durante outros reinados. O texto afirma, por exemplo, que Manassés levantou altares e colocou uma imagem dentro do templo, enquanto Josias posteriormente removeu objetos associados a outros cultos e destruiu estruturas religiosas existentes em Jerusalém e em seus arredores (2 Reis 21:1–7; 23:4–14).
Jeremias também denunciou a tentativa de conciliar a confiança no templo com práticas contrárias à aliança. Em seu discurso, o profeta censurou pessoas que recorriam ao santuário enquanto mantinham idolatria, injustiça e desobediência na vida cotidiana (Jeremias 7:1–11).
O molde encontrado no Kishle não comprova isoladamente um episódio bíblico específico. Seu valor está em oferecer um vestígio material do ambiente social e religioso no qual essas advertências foram pronunciadas.
A arqueologia recupera fragmentos da vida antiga: construções, utensílios, inscrições, alimentos, sepultamentos e objetos de possível utilização ritual. A Bíblia apresenta uma interpretação teológica da história de Israel e de Judá. A pesquisa responsável aproxima essas duas áreas com cautela, sem forçar o objeto arqueológico a declarar aquilo que ele, sozinho, não pode demonstrar.
A descoberta também chama atenção para a distância que pode existir entre a religião pública e as convicções praticadas dentro do lar.
Jerusalém possuía o templo e ocupava uma posição central na vida religiosa de Judá. Isso não impediu que seus habitantes adotassem objetos, costumes e formas de devoção que os profetas consideravam incompatíveis com a aliança.
A fé bíblica nunca foi apresentada apenas como participação em cerimônias. Ela abrangia a administração da casa, o tratamento oferecido ao próximo, as escolhas econômicas, a educação dos filhos e os objetos de confiança cultivados no cotidiano.
Na perspectiva adventista reformista, o achado pode ser compreendido como uma oportunidade de examinar a coerência entre profissão religiosa e vida prática. A idolatria não se limita à presença de uma imagem de barro. Ela se manifesta sempre que algo criado assume o lugar de confiança, submissão e lealdade que pertence a Deus.
Pessoas, instituições, dinheiro, poder, tradições e até formas externas de religião podem ser transformados em fontes de segurança espiritual. Por isso, o chamado bíblico à reforma começa no coração e alcança as decisões mais comuns da existência.
O pequeno molde encontrado em Jerusalém preservou a impressão de um rosto durante aproximadamente 2.600 anos. Seu significado completo ainda é investigado, mas sua existência revela que ideias religiosas também circulavam por oficinas, casas e objetos comuns.
A descoberta convida o leitor a observar a história com seriedade e a reconhecer uma lição que atravessa os séculos: a fidelidade a Deus é demonstrada tanto no culto público quanto naquilo que ocupa o centro da vida particular.
Fontes
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