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Calendário semanal minimalista em uma parede azul-escura, com seis colunas na sombra e a última coluna, correspondente ao sábado, iluminada por uma luz dourada de fim de tarde.
Calendário semanal iluminado por um raio de pôr do sol sobre o último dia da semana.Ilustração gerada por IA · ASDMR | Cibalde Studio
Espiritualidade

Sábado ou domingo? O dia de descanso segundo a Bíblia

Da criação ao Apocalipse, o que a Bíblia diz sobre o sétimo dia: Jesus e os apóstolos, a pergunta do domingo, quem mudou o dia e como se guarda o sábado.

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Hugo Cibalde
13 de outubro de 20265 min de leitura

A maioria dos cristãos se reúne no domingo. Alguns guardam o sábado. A diferença parece pequena — um dia a mais ou a menos no calendário —, mas a pergunta por trás dela é grande: qual é o dia que Deus separou, e quem tem autoridade para mudá-lo? Vamos à Bíblia.

Qual é o dia de descanso segundo a Bíblia?

O sábado aparece antes de qualquer lei escrita, antes do pecado e antes de existir um único israelita. No fim da criação, "abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera" (Gênesis 2:3). Deus mesmo descansou, abençoou e separou o sétimo dia.

Chamar o sábado de "coisa dos judeus" é como chamar o casamento — instituído no mesmo capítulo de Gênesis, na mesma semana — de instituição judaica. Os dois foram dados à humanidade inteira. Como disse Jesus, "o sábado foi feito por causa do homem" (Marcos 2:27) — do ser humano, não de um povo.

Séculos depois, no Sinai, Deus escreveu com o próprio dedo o quarto mandamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus" (Êxodo 20:8-10). A palavra "lembra-te" mostra que o sábado já existia e que era fácil esquecê-lo.

Jesus guardou o sábado?

Sim, e com regularidade. "Chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o Seu costume, na sinagoga" (Lucas 4:16). Jesus combateu as regras humanas que tinham transformado o sábado num fardo, e curou muitas pessoas nesse dia, ensinando que "é lícito fazer o bem nos sábados" (Mateus 12:12). Ele corrigiu a maneira de guardar o sábado — nunca o dia.

Mais: ao falar da destruição de Jerusalém, que aconteceria quase quarenta anos depois da cruz, Jesus orientou os discípulos: "Orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado" (Mateus 24:20). Ele esperava que Seus seguidores continuassem guardando o sábado.

Depois da morte de Jesus, as mulheres que O seguiam prepararam os aromas, "e no sábado repousaram, conforme o mandamento" (Lucas 23:56). E os apóstolos continuaram a pregar no sábado, a judeus e a gentios (Atos 13:42-44; 16:13; 17:2; 18:4).

Domingo é o dia do Senhor?

A expressão "dia do Senhor" aparece uma vez no Novo Testamento, em Apocalipse 1:10, sem dizer qual dia é. Mas a própria Bíblia define qual dia pertence ao Senhor: "o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus" (Êxodo 20:10), e Jesus declarou-Se "Senhor do sábado" (Marcos 2:28). Isaías chama o sábado de "Meu santo dia" (Isaías 58:13).

Não existe no Novo Testamento um único texto que transfira a santidade do sábado para o domingo. Os textos citados para isso — a reunião de Atos 20:7, a coleta de 1 Coríntios 16:2 — falam de um encontro e de uma oferta separada em casa, e não mencionam descanso, mandamento ou mudança.

Quem mudou o sábado para o domingo?

A mudança não veio da Bíblia; veio da história. Ao longo dos primeiros séculos, por influência do costume romano de honrar o "dia do sol" e do desejo de se afastar de tudo o que parecesse judaico, a observância do domingo cresceu na Igreja, até ser imposta por decretos civis e religiosos. O profeta Daniel tinha anunciado um poder que "cuidará em mudar os tempos e a lei" (Daniel 7:25).

Deus não mudou. "Eu, o Senhor, não mudo" (Malaquias 3:6). E Jesus disse da lei de que o sábado faz parte: "até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei" (Mateus 5:18).

O sábado foi abolido na cruz?

A cruz pôs fim aos sacrifícios e cerimônias que apontavam para Cristo — a "sombra das coisas futuras" (Colossenses 2:16 e 17), que incluía os sábados anuais das festas judaicas. Mas o sábado semanal não aponta para a cruz: aponta para a criação, e foi dado antes do pecado. E Isaías diz que, na nova Terra, "de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante Mim" (Isaías 66:23). O sábado começou no Éden e continua depois do fim do pecado.

Guardar o sábado é salvação pelas obras?

Não. Ninguém é salvo por guardar um dia; somos salvos pela graça, por meio da fé em Cristo (Efésios 2:8). O sábado é um sinal dessa relação: "Também lhes dei os Meus sábados, para servirem de sinal entre Mim e eles, para que soubessem que Eu sou o Senhor que os santifica" (Ezequiel 20:12). Quem descansa no sábado confessa que não se salva sozinho — que Deus é quem cria e quem santifica.

Como se guarda o sábado?

O sábado bíblico vai do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado (Levítico 23:32; Marcos 1:32). A sexta-feira é o dia da preparação: deixar pronto o que pode ser feito antes, e resolver também as mágoas e as desavenças. No sábado, deixa-se de lado o trabalho comum para adorar a Deus, estar com a família e a igreja, visitar quem precisa e fazer o bem. Não é um dia de proibições; é, como diz Isaías, um "deleite" (Isaías 58:13).

Uma forma simples de começar: receber o sábado com uma oração em família ao pôr do sol de sexta-feira. As nossas Meditações do Pôr do Sol trazem uma leitura para cada semana.

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