“Mas, a todos quantos O receberam, aos que creem no Seu nome, deulhes o direito de se tornarem filhos de Deus” (João 1:12).
Nicodemos tinha ouvido João Batista pregar sobre arrependimento, mas a mensagem direta e desafiadora não havia despertado nele a consciência de seu próprio pecado. Como um fariseu rigoroso, ele se orgulhava de suas boas obras e de sua obediência à Lei. Por causa de seus atos de bondade, era admirado pelas pessoas e tinha certeza de que tinha o favor de Deus. Porém, a ideia de um reino tão puro que ele não pudesse entrar no estado em que estava o surpreendeu.
A metáfora do novo nascimento não era completamente desconhecida para Nicodemos. Ele sabia que os pagãos que se convertiam ao judaísmo muitas vezes eram comparados a recém-nascidos. Por isso, ele provavelmente entendeu que as palavras de Jesus não eram literais. Ainda assim, como israelita e fariseu, acreditava que não precisava mudar. Isso fez com que as palavras de Cristo ferissem seu orgulho. Dentro dele, o orgulho lutava contra seu sincero desejo de compreender a verdade.
Surpreso com suas próprias emoções, Nicodemos respondeu com ironia: “Como alguém pode nascer, sendo velho?” Como tantas outras pessoas, ele mostrou que o coração humano, por si só, não responde às verdades espirituais. As coisas espirituais só podem ser entendidas com discernimento espiritual. Com calma e autoridade, Jesus continuou aprofundando a explicação: “Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito” (João 3:5). Nicodemos compreendeu que Jesus estava falando do batismo nas águas e da renovação do coração pelo Espírito de Deus. Naquele momento, ele percebeu que estava diante dAquele que João Batista havia anunciado.
Jesus explicou que o coração humano, como a fonte de um rio, precisa ser purificado para que a vida possa ser transformada. Aqueles que tentam alcançar o Céu por meio de suas próprias obras ou pelo simples cumprimento da Lei estão tentando algo impossível. A vida cristã não é apenas uma melhoria da antiga, mas uma transformação completa da natureza — a morte do “eu” e do pecado, e o início de uma vida totalmente nova. Essa mudança só pode acontecer pelo poder do Espírito Santo.
Jesus ontem, hoje e eternamente — Meditações Matinais 2026 · Ellen G. White
