“Eu falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada disse em secreto” (João 18:20).
Apressadamente, levaram Jesus pelas silenciosas ruas da cidade adormecida. Já passava da meia-noite. Amarrado e vigiado de perto, o Salvador caminhou dolorosamente até o palácio de Anás, o ex-sumo sacerdote. Anás era o patriarca da família de sacerdotes em exercício, e o povo o reconhecia como sumo sacerdote por respeito à sua idade. Os líderes consideravam seu conselho como a voz de Deus. Ele precisava estar presente no interrogatório de Jesus, temendo que Caifás, menos experiente, não conseguisse obter o resultado desejado. Eles precisavam da astúcia de Anás para condenar Cristo.
Jesus deveria ser julgado formalmente diante do Sinédrio; antes, porém, passaria por um julgamento preliminar diante de Anás. Pelo estatuto romano, o Sinédrio podia interrogar um prisioneiro e declarar a sentença, que precisava ser confirmada pelas autoridades romanas. Portanto, era necessário apresentar acusações contra Cristo que tanto romanos quanto judeus considerassem criminosas. Muitos sacerdotes e líderes religiosos se convenceram dos ensinamentos de Cristo. José de Arimateia e Nicodemos não foram convocados para esse julgamento, mas havia outros que poderiam falar em favor da justiça. O julgamento devia unir o Sinédrio contra Cristo. Os sacerdotes queriam estabelecer duas acusações: se pudessem provar que Jesus era um blasfemador, os judeus O condenariam. Se pudessem culpá-lO de enfraquecer o estatuto de Roma, os romanos garantiriam Sua condenação.
Anás tentou estabelecer primeiro a segunda acusação. Ele interrogou Jesus esperando que o prisioneiro dissesse algo que provasse que estava criando uma sociedade secreta para estabelecer um novo reino. Assim, poderiam entregá-lO aos romanos como causador de revolta. Como se lesse a alma de Seu interrogador, Cristo negou que reunisse Seus seguidores secretamente para ocultar Seus planos.
Jesus ontem, hoje e eternamente — Meditações Matinais 2026 · Ellen G. White
