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A igreja de Deus e a mordomia · Aula 6

Disciplina eclesiástica, confissões e a advertência especial

Mateus 18:15-18
Texto Chave

"Se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão."

Mateus 18:15

A disciplina eclesiástica é baseada na ordenança dada por Jesus em Mateus 18:15 e 16. É responsabilidade de todo membro da igreja dar exortação em amor, bem como recebê-la, de acordo com as verdades recebidas na Palavra de Deus — especialmente dos ministros do evangelho (Provérbios 15:31 e 32; 10:17; 2 Timóteo 4:2; Tito 1:9; 2:15).

Apesar de termos a responsabilidade de nos exortar mutuamente, devemos lembrar que toda admoestação, para ser efetiva e duradoura, deve ser dada claramente e em espírito de amor: "Olha por ti mesmo, para que também tu não sejas tentado" (Gálatas 6:1; Apocalipse 3:19). Esse espírito de amor é a atitude manifestada na disposição de depor a vida para o erro, enquanto se lhe dá reprovação (João 13:34; 15:12 e 13).

O Xis da Questão

"Enquanto não vos sentirdes dispostos a sacrificar o amor-próprio e mesmo dar a própria vida para salvar um irmão em erro, não tirastes a trave do próprio olho de maneira a estar preparados para ajudar um irmão." — O maior discurso de Cristo, p. 128 e 129. A disposição de morrer por ele é a credencial para corrigi-lo.

Disciplina não é exclusão

A disciplina da igreja, ao contrário da exclusão, coloca restrições sobre o membro por um tempo, enquanto ele considera a própria condição e dá passos para corrigir seus caminhos (Hebreus 12:5-12).

Quando a pessoa que errou se arrepende e se submete à disciplina de Cristo, cumpre dar-lhe outra oportunidade. E mesmo que se não arrependa e venha a ficar colocada fora da igreja, os servos de Deus têm o dever de tentar esforços com ela, buscando induzi-la ao arrependimento. Caso se renda à influência do Espírito de Deus, dando evidência do arrependimento, confessando e renunciando ao pecado, por mais grave que tenha sido, deve merecer o perdão e ser de novo recebida na igreja.

— Obreiros evangélicos, p. 501

A palavra aqui traduzida 'encaminhar' significa colocar no lugar, como se faz com um osso deslocado. Quão sugestiva é essa figura! Aquele que cai em erro ou pecado coloca-se fora do lugar em relação a tudo que o cerca. [...] Não pode restabelecer-se a si mesmo. Está em confusão e perplexidade, vencido e desamparado. Deverá ser reclamado, curado e restabelecido. [...] Unicamente o amor que se origina no coração de Cristo pode curar.

— Educação, p. 113 e 114

O risco de inventar regras

O esforço de obter a salvação pelas próprias obras leva inevitavelmente os homens a amontoar exigências como barreira contra o pecado. [...] Um sistema de invenção humana, com suas exigências múltiplas, induz seus adeptos a julgar a todos quantos faltem à norma humana prescrita. A atmosfera de crítica egoísta e estreita sufoca as emoções nobres e generosas, fazendo com que os homens se tornem juízes egocêntricos e espias mesquinhos.

— O maior discurso de Cristo, p. 123

Quando censuram ou aconselham, muitos usam linguagem áspera e severa, palavras inadequadas para curar um coração ferido. Por essas expressões inadequadas é irritado o espírito, e os errantes são muitas vezes instigados à rebelião. [...] Sob todas as circunstâncias, a censura deve ser expressa com amor. Então nossas palavras reformarão e não hão de exasperar.

— Parábolas de Jesus, p. 337

A exclusão e suas seis salvaguardas

A exclusão também é baseada na ordenança de Cristo (Mateus 18:17 e 18; 1 Coríntios 5:11-13; Romanos 16:17; 2 Tessalonicenses 3:6; Tito 3:10 e 11). Perante Deus, a igreja é obrigada a remover de sua comunhão aqueles cuja conduta está em contradição aberta e persistente aos princípios de nossa fé.

Unicamente a igreja da qual a pessoa é membro, sob direção de um ministro ordenado — ou ancião, quando autorizado —, em consulta com o presidente da Associação ou seu representante, é autorizada a executar a exclusão de maneira legal e em harmonia com a Palavra de Deus (1 Timóteo 1:19 e 20; 6:3-5; 1 Coríntios 5:1-13; Tito 3:10 e 11).

No processo, precisamos assegurar que Mateus 18:15-17 seja seguido, no caso de pecados pessoais. Alguns pecados públicos podem requerer tratamento diferente, com ação imediata, de forma que a igreja não se torne culpada (1 Timóteo 5:20).

Uma vez que a pessoa tenha sido excluída do aprisco e já não seja membro, devemos tratá-la da mesma maneira que consideraríamos um "gentio e publicano" — um forasteiro. Porém, obra especial deve ser feita por sua reconversão e restauração (Lucas 15:4-6). Além disso, não devemos nos associar com os que causam divisão na igreja (Romanos 16:17).

Anciãos e diáconos são escolhidos para cuidar da prosperidade da igreja. Ainda assim, esses líderes, especialmente nas igrejas jovens, não devem se sentir na liberdade, no próprio julgamento e responsabilidade, de cortar da igreja membros ofensivos. Não estão investidos com tal autoridade. [...] Também devem submeter a matéria ao presidente do Campo e aconselhar-se com ele. [...] Quão diferente tem sido o curso quando, com autoridade autoassumida e espírito duro e insensível, acusações têm sido feitas, e almas empurradas para fora da igreja de Cristo.

— Manuscript Releases, vol. 12, p. 113

Nenhum oficial de igreja deve aconselhar, nenhuma comissão recomendar e nenhuma igreja votar que o nome de alguém que haja cometido falta seja eliminado dos livros da igreja, até que as instruções de Cristo a tal respeito tenham sido cumpridas escrupulosamente. Se essas instruções tiverem sido observadas, a igreja está livre diante de Deus.

— Obreiros evangélicos, p. 501

Quando toda especificação dada por Cristo é cumprida no verdadeiro espírito cristão, então, e unicamente então, o Céu ratifica a decisão da igreja, porque seus membros têm a mente de Cristo e procedem da maneira como Ele procederia se estivesse na Terra.

— Mensagens escolhidas, vol. 3, p. 22

Para Não Esquecer

"Então, e unicamente então, o Céu ratifica a decisão da igreja." A ratificação de Mateus 18:18 não é automática: ela depende de todo o procedimento ter sido cumprido — e cumprido no espírito certo.

E a omissão também é culpa

Ele nos mostra que, quando Seu povo se encontra em pecado, imediatamente devem ser tomadas medidas positivas para tirar esse pecado do meio deles. [...] Porém, se os pecados do povo são passados por alto por aqueles que se acham em posições de responsabilidade, o desagrado de Deus estará sobre eles, e Seu povo, como corpo, será responsável por esses pecados. [...] Um pecador pode difundir trevas que excluam a luz de Deus de toda a congregação.

— Testemunhos seletos, vol. 1, p. 334

Caso haja erros claros entre Seu povo, e os servos de Deus passem adiante, indiferentes a isso, estão, por assim dizer, apoiando e justificando o pecador." E, do outro lado: "Aquele que se desgarrou do rebanho não será procurado com palavras duras e chicote, mas com atrativos convites a voltar.

— Testemunhos seletos, vol. 1, p. 334 e 335; Conselhos aos pais, professores e estudantes, p. 198

Confissões

Conquanto a confissão seja um bem para a alma, há necessidade de agir sabiamente. [...] muitas, muitas confissões nunca deveriam ser pronunciadas aos ouvidos de mortais, pois o resultado é tal que o limitado julgamento de seres finitos não antecipa. Sementes do mal são espalhadas na mente e no coração dos que ouvem, e quando eles estiverem sob tentação, essas sementes germinarão e trarão fruto.

— Testemunhos para a igreja, vol. 5, p. 645

Há certas confissões que devem ser feitas perante uns poucos escolhidos, e reconhecidas pelo pecador em profunda humildade. O assunto não deve ser conduzido de tal forma que o mau hábito seja transformado em virtude, e o pecador se orgulhe de seus maus feitos. Se houver coisas de natureza ignominiosa que devam vir perante a igreja, que sejam trazidas diante de umas poucas pessoas selecionadas antecipadamente para ouvi-las.

— Testemunhos para a igreja, vol. 5, p. 646

Você Sabia?

A regra não é sigilo por conveniência: é proteção. Confissão pública de pecado secreto pode ser "cheiro de morte, e não de vida" — porque planta na mente dos ouvintes a semente do que se confessou.

Advertência especial: nunca uma testemunha só

No processo de assassínio, o acusado não devia ser condenado pelo depoimento de uma só testemunha [...]. Foi Cristo que deu a Moisés aquelas determinações para Israel. Quando Ele esteve em pessoa com Seus discípulos na Terra, ao ensinar-lhes como tratar os que erram, o grande Ensinador repetiu a lição de que o testemunho de um só homem não deve livrar ou condenar. As idéias e opiniões de um homem não devem resolver questões controvertidas.

— Patriarcas e profetas, p. 516

Uma pessoa pode ser controlada por preconceito, egoísmo ou malícia. Porém, não era provável que duas ou mais pessoas fossem tão pervertidas a ponto de unirem-se em sustentar falso testemunho. Mesmo que o fossem, um exame em separado levaria à descoberta da verdade. Essa provisão misericordiosa contém lição para o povo de Deus até o fim do tempo.

— The Signs of the Times, 20 de janeiro de 1881

Se as pessoas forem tão merecedoras de ser separadas da igreja como Satanás o foi de ser expulso do Céu, terão quem lhes tome as dores. [...] Em sua rebelião, Satanás levou consigo a terça parte dos anjos. [...] Tendo esses fatos diante de nós, cumpre-nos agir com a maior cautela. [...] Precisamos suportar isso, e evitar a necessidade de arrancar o joio; não aconteça que o trigo seja extirpado também.

— Testemunhos seletos, vol. 3, p. 114 e 115

A

Existe hoje um irmão a quem você precisa procurar "entre ti e ele só" — antes de qualquer outra coisa?

Exercícios

1.Qual é a diferença entre disciplina e exclusão, segundo o capítulo?

2.Quem está autorizado a executar uma exclusão?

3.Mateus 18:18 garante que qualquer decisão da igreja é automaticamente ratificada no Céu.

4.Por que nem toda confissão deve ser feita publicamente?

5."Para que pela boca de duas ou três toda palavra seja confirmada." (Mateus 18:16).

6.Passar por alto os pecados claros do povo, estando em posição de responsabilidade, é tratado pelo capítulo como falta grave.