O Sábado · Aula 3
Cristo, os apóstolos e o silêncio do livro de Atos
Lucas 4:16"Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o Seu costume, e levantou-Se para ler."
Lucas 4:16
Do que Jesus e os fariseus discutiam
O conflito entre Jesus e os fariseus sobre o Sábado nunca envolveu a questão de o Sábado dever ou não ser guardado. A discussão era apenas sobre questões como a forma de ser guardado.
Jesus descartou toda tradição humana desnecessária e ensinou a guarda legítima do Sábado, dando-nos exemplo (Lucas 4:16; Mateus 12:1-12; Lucas 13:10-17; João 5:2-11; 7:22 e 23). Ao ensinar a guarda correta do Sábado, de acordo com a lei, Cristo confirmou a validade sagrada do mandamento do Sábado.
Ninguém discute a forma de guardar aquilo que pretende abolir. Cada controvérsia sabática dos Evangelhos pressupõe que o Sábado continua — e é isso que os relatos provam, mesmo antes de qualquer argumento.
A oração de Mateus 24:20
A instrução de Cristo a Seus discípulos, de orarem a fim de que a fuga deles não tivesse que ocorrer no Sábado, confirma a santidade do Sábado na dispensação cristã (Mateus 24:20). Essa instrução foi dada não apenas para benefício dos crentes que viviam na Judeia após a crucifixão de Cristo (Mateus 24:16-18; Atos 8:1), mas também para benefício dos que vivem nos últimos dias (Mateus 24:3, 32 e 33).
Jerusalém caiu em 70 d.C., quase quarenta anos depois da cruz. Se o Sábado houvesse de terminar na cruz, a oração pedida por Cristo não faria sentido algum naquela data.
Nem os inimigos O acusaram
Os fariseus, que vigiavam Cristo continuamente, não foram capazes de achar nEle qualquer evidência de transgressão do Sábado. Nem mesmo quando Ele estava perante Caifás poderiam acusá-lO de ter violado o Sábado. Nesse ponto, nem mesmo tentaram usar falsas testemunhas contra Ele (Lucas 6:7; Mateus 26:59-66; João 18:28-31).
Depois da cruz, nada mudou
Quando o novo concerto já havia sido confirmado pela morte de Cristo na cruz (Hebreus 9:16), e em razão de nenhuma mudança poder ser feita depois de ele haver sido validado (Gálatas 3:15), os discípulos continuaram descansando no Sábado, em obediência ao quarto mandamento (Lucas 23:56).
Gálatas 3:15 é um argumento jurídico: um testamento confirmado não pode ser alterado. Se o Novo Concerto foi confirmado pela morte de Cristo, nada pode ser acrescentado nem retirado dele depois — e Lucas 23:56 mostra o que estava nele naquele mesmo fim de semana.
Imediatamente antes de Sua ascensão, Cristo deu instruções finais a Seus discípulos, para ensinarem e observarem "todas as coisas que Eu vos tenho mandado". Ele nunca falou qualquer palavra sobre uma suposta mudança do Sábado para o domingo — passada, presente ou futura (Mateus 28:20; Lucas 16:17).
Os primeiros cristãos
Os primeiros cristãos guardaram o Sábado, o sétimo dia da semana, e mantinham suas reuniões religiosas nesse dia (Atos 13:14, 42 e 44; 16:13; 17:1-3). Durante um ano e seis meses, Paulo pregou em Corinto todo Sábado, persuadindo judeus e gregos. Não há indicação de que ele tenha tentado introduzir qualquer mudança do Sábado para o domingo (Atos 18:4 e 11). Ananias, um dos líderes da igreja, não teria tido bom testemunho de todos os judeus se não houvesse sido estrito guardador do Sábado (Atos 22:12).
Após a ascensão de Cristo, judeus e cristãos adoraram nas sinagogas no dia de Sábado (Atos 9:12; 22:19; 15:21). Não há evidência de que os primeiros cristãos tenham ofendido os judeus, não guardando o Sábado (Atos 25:8; 1 Coríntios 10:32).
O argumento do silêncio — e por que ele vale aqui
Quando havia conflito sobre a lei cerimonial na igreja, não ocorria desacordo causado por tentativa de mudar o Sábado. Isso mostra que tal tentativa nunca foi feita entre os primeiros cristãos. Se alguns dos líderes houvessem tentado fazer algo tão sério, todo o livro de Atos estaria inflamado de referências ao conflito causado pela tentativa de afastamento. Portanto, silêncio completo nessa questão prova que os primeiros cristãos não conheceram inovação nesse ponto (Atos 15:1-6 e 23-29).
O concílio de Jerusalém se reuniu por causa da circuncisão — um rito cerimonial. A igreja primitiva foi capaz de um concílio inteiro por causa disso. Uma mudança do dia de adoração teria produzido uma crise infinitamente maior, e não há uma linha sobre ela em todo o Novo Testamento.
Se você tivesse de mostrar a um amigo, apenas com o livro de Atos na mão, que os apóstolos guardavam o Sábado, quais textos usaria?
Exercícios
1.Sobre o que versava o conflito entre Jesus e os fariseus a respeito do Sábado?
2.Por que Mateus 24:20 é apresentado como prova da santidade do Sábado na era cristã?
3.Antes de ascender, Cristo instruiu os discípulos a transferir o dia de repouso para o domingo.
5.Que argumento o capítulo extrai do silêncio do livro de Atos?
