As ordenanças e o santuário · Aula 3
A. O lava-pés
João 13:1-17"Ora, se Eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também."
João 13:14 e 15
No último encontro com os discípulos no cenáculo, antes de Seu sofrimento, Cristo tinha muita coisa para dizer-lhes. Esse solene acontecimento, registrado em João, capítulos 13 a 16, foi a última páscoa, símbolo de Sua morte pelos pecados do mundo.
Antes que os emblemas do corpo e do sangue de Cristo fossem distribuídos entre os discípulos, Cristo lavou os pés deles. "Pelo ato de nosso Senhor, essa cerimônia humilhante tornou-se ordenança consagrada" (O Desejado de Todas as Nações, p. 650).
Para que serve
O propósito dessa ordenança, que recai sobre todo cristão, é levar os participantes a examinar o próprio coração, ver as próprias raízes de amargura e outros defeitos de caráter e remover mal-entendidos entre irmãos (João 13:1-17).
Essa ordenança é o preparo designado por Cristo para o serviço sacramental. Enquanto orgulho, desinteligência e luta por superioridade forem nutridos, o coração não pode entrar em associação com Cristo. Não estamos preparados para receber a comunhão de Seu corpo e de Seu sangue. Por isso, Jesus indicou que se observasse primeiramente a comemoração de Sua humilhação.
— O Desejado de Todas as Nações, p. 650
A ordem das duas partes não é acidente litúrgico: o lava-pés vem ANTES porque é o preparo. Quem chega à mesa do Senhor com orgulho e desavença não está preparado para recebê-la — e a primeira ordenança existe exatamente para resolver isso.
Há nas pessoas disposição de se estimarem superiormente aos seus irmãos, de agir para si próprias, de servir a si mesmas, de buscar o mais alto lugar. E freqüentemente pensamentos maus e amargura de espírito levantam-se sobre meras ninharias. Essa ordenança, que precede a Ceia do Senhor, deve lançar fora esses mal-entendidos, levar as pessoas para longe de seu egoísmo, fazê-las descer de suas muletas de autoexaltação para a humildade de espírito que as levará a lavar os pés de seus irmãos.
— The Review and Herald, 22 de junho de 1897
A ordenança do lava-pés tem sido especialmente apreciada por Cristo. Nessas ocasiões, o Espírito Santo está presente para testemunhar e pôr um selo em Sua ordenança. Ele está lá para convencer e enternecer o coração. Ele atrai os irmãos juntamente, e fá-los um só coração. São levados a sentir que Cristo realmente está presente a fim de remover o refugo acumulado para separar dEle os corações dos filhos de Deus.
— The Review and Herald, 22 de junho de 1897
O que Pedro quase perdeu
"Solenemente, disse Cristo a Pedro: 'Se Eu te não lavar, não tens parte Comigo.' O serviço que Pedro recusava era símbolo de purificação mais elevada. Cristo viera para lavar o coração da mancha do pecado. Recusando deixar Cristo lavar-lhe os pés, Pedro recusava a purificação superior incluída na mais humilde. Estava, na verdade, rejeitando seu Senhor." — O Desejado de Todas as Nações, p. 646.
A recusa de Pedro parecia reverência — "nunca me lavarás os pés" —, e era orgulho. É possível recusar a graça de Deus com a linguagem da humildade.
O exemplo de lavar os pés de Seus discípulos foi dado para benefício de todos os que deveriam crer nEle. Requer deles que sigam Seu exemplo. Essa ordenança humilhante não foi designada apenas para provar a humildade e a fidelidade deles, mas para manter na lembrança que a redenção de Seu povo foi comprada sob condições de humildade e obediência contínua da parte deles.
— The Spirit of Prophecy, vol. 1, p. 202
O ósculo santo
A saudação santa mencionada no evangelho de Jesus Cristo pelo apóstolo Paulo deve ser considerada em seu caráter verdadeiro. Trata-se de um ósculo santo. Deve ser considerada como sinal de amizade para cristãos amigos quando partem, e quando se encontram de novo após semanas ou meses de separação. Paulo diz: 'Saudai a todos os irmãos com ósculo santo.' (1 Tessalonicenses 5:26). No mesmo capítulo, ele diz: 'Abstende-vos de toda forma de mal.' Pode não haver aparência de mal quando o ósculo santo é dado no tempo e em lugar próprios.
— Primeiros escritos, p. 117
"Foi então que a sinagoga de Satanás conheceu que Deus nos havia amado, que lavávamos os pés uns aos outros e saudávamos os irmãos com ósculo santo." — Primeiros escritos, p. 15.
Existe hoje alguém na sua igreja com quem você não conseguiria participar do lava-pés sem constrangimento? O que essa resposta revela?
Exercícios
1.Por que o lava-pés precede a Santa Ceia?
2.O que Pedro estava de fato recusando ao dizer "nunca me lavarás os pés"?
