“Simão, tenho algo a lhe dizer. [...] Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinquenta. Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais?” (Lucas 7:41 e 42).
Simão não compreendia que o Filho de Deus deveria agir com compaixão, ternura e misericórdia. Para ele, o arrependimento de Maria era algo que Cristo deveria desprezar. O fato de ela beijar os pés do Salvador e derramar sobre Ele o caro perfume lhe parecia intolerável. Simão acreditava que Jesus deveria repreender pecadores como Maria e rejeitar suas demonstrações de devoção.
O Salvador, conhecendo os pensamentos não ditos de Simão, respondeu diretamente: “‘Simão, tenho algo a lhe dizer. [...] Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinquenta. Nenhum dos dois tinha como pagar a dívida, por isso ele perdoou a ambos. Qual deles o amará mais?’ Simão respondeu: ‘Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior’. ‘Você julgou bem’, disse Jesus” (Lucas 7:40-43).
Assim como Natã havia confrontado Davi usando uma parábola (2 Samuel 12:1-7), Jesus levou Simão a julgar a circunstância e, indiretamente, a si mesmo. Simão havia conduzido Maria ao pecado que agora desprezava nela, prejudicando-a profundamente. Na história dos dois devedores, os personagens representavam Simão e Maria. Contudo, o que Jesus quis dizer não era que os dois deviam sentir diferentes graus de gratidão, mas que ambos tinham dívidas que nunca poderiam pagar. Na verdade, o pecado de Simão era ainda maior, assim como uma dívida de quinhentos denários é muito maior do que uma de cinquenta.
Só nesse momento é que Simão começou a enxergar a si mesmo sob uma nova perspectiva. Ele percebeu que Jesus, mais do que um profeta, via Maria com misericórdia e compaixão. Profundamente envergonhado, Simão reconheceu que estava na presença de Alguém muito superior a ele. Cristo não apenas leu os pensamentos de seu coração, mas também o confrontou com a verdade de seus próprios pecados, abrindo caminho para o arrependimento e a transformação.
Jesus ontem, hoje e eternamente — Meditações Matinais 2026 · Ellen G. White
