A Igreja Adventista do Sétimo Dia Movimento de Reforma nasceu em 1925, na cidade de Gotha, Alemanha. Sua origem foi marcada por uma decisão difícil: permanecer fiel aos princípios pioneiros do adventismo em meio a pressao da Primeira Guerra Mundial. Naqueles primeiros anos, não havia preocupação formal com identidade visual. Havia, isso sim, uma urgência profunda — a de fidelidade.
Os documentos das primeiras décadas mostram uma estética feita de necessidade: cartazes datilografados, livros encadernados em capa simples, hinários reimpressos a partir de matrizes manuais. A SDARM não tinha logotipo, não tinha paleta, não tinha sistema. Mas tinha uma coerência — a coerência da reverência, da simplicidade, da seriedade. Essa coerência silenciosa se tornou, com o tempo, a primeira identidade da igreja.
Crescimento sem dispersão
Nas décadas seguintes, a igreja se espalhou — primeiro pela Europa, depois pelas Américas, África e Ásia. Em cada novo pais, novos líderes começaram a produzir materiais locais: cartazes, folhetos, programas, capas de livros. Sem um sistema central, cada união se adaptou ao seu contexto cultural, ao seu mercado gráfico, aos seus recursos.
O resultado foi uma marca dispersa. Em 2024, durante o Concílio Mundial em Lisboa, líderes das 9 secretarias regionais sentaram juntos e compararam materiais de seus países. A diferença era visível — uma mesma igreja parecia tres ou quatro denominações diferentes ao redor do mundo. Foi naquele Concílio que se aprovou a criação do primeiro sistema de marca global da SDARM.
O processo de 18 meses
O Brand Manager Hugo Cibalde foi designado para liderar o projeto. Durante 18 meses, ele e uma equipe consultiva entrevistaram mais de 200 líderes em 47 países, estudaram arquivos históricos da denominação adventista desde 1844 e analisaram como outras instituições religiosas centenárias — incluindo ordens monásticas e igrejas reformadas — preservaram sua identidade visual através do tempo.
O trabalho foi metódico. Primeiro vieram os princípios — os 15 fundamentos éticos e estéticos que sustentam todas as decisões. Depois, a arquitetura conceitual — essência, posicionamento, personalidade, tom de voz. Por último, a expressão visual — logo, cores, tipografia, grid, fotografia, ícones.
Cada decisão foi revisada teologicamente pela Comissão de Doutrina. Cada peça-piloto foi testada em quatro continentes antes de ser aprovada. O resultado e o documento que você esta lendo agora.
Linha do tempo
- 1925Fundação da SDARM em Gotha, Alemanha, no contexto da fidelidade aos pioneiros adventistas.
- 1949Primeira Conferência Mundial em Berlim. Adocao do nome oficial em inglês: Seventh-Day Adventist Reform Movement.
- 1970Expansão significativa para América do Sul, África e Ásia. Materiais começam a ser produzidos localmente.
- 1998Primeira tentativa de manual visual unificado, restrita a publicacoes oficiais da Conferência Geral.
- 2015Lançamento do primeiro site oficial multilíngue. Necessidade de coerência digital começa a se tornar evidente.
- 2024Concílio Mundial em Lisboa autoriza a criação do primeiro sistema de marca global. Hugo Cibalde e nomeado Brand Manager.
- 2025Pesquisa de campo em 47 países. Consultas teologicas e visuais.
- 2026Lançamento do Brand Book v2026.1. Primeira versão oficial do sistema mundial de identidade SDARM.
Herança, não moda
Este sistema não foi feito para parecer moderno em 2026. Foi feito para permanecer fiel em 2056. Não seguimos tendências — seguimos princípios. As escolhas estilísticas que você ve aqui — a sobriedade do azul, a paciência do dourado, a reverência das fontes serifadas — são escolhas pensadas para durar.
Cuidar de uma marca centenária não e desenhar. E preservar. Este Brand Book e, antes de tudo, um ato de preservação.
Em servico,
Hugo Cibalde
Brand Manager · General Conference SDARM
Maio de 2026